Os Primos da Rua do meio e a nossa Pasárgada Particular

Cresci com muita gente ao meu redor… além dos 11 membros da minha família(incluindo eu), tínhamos contato quase que diário com 5 primos que moravam há dois quarteirões de nossa casa, na famosa Rua do meio… crescemos juntos como irmãos, tínhamos em comum(como toda criança)o mundo da fantasia e disto tudo posso levar muitas estórias engraçadas.

O nome da rua é Visconde de Inhaúma – Inhaúma é uma palavra indígena que define uma ave, o mesmo que anhuma, mas todos conhecem como rua do meio. Visconde de Inhaúma foi um Português dedicado ao seu governo no final do século XIX(1880). Já a rua do Meio tem este nome por ser entre a rua principal, de nome: 21 de abril e a rua da ponte.

Pássaro Anhuma(Inhaúma)

Uma das estórias legendarias na minha mente foi quando minha mãe ia jogar fora um guarda-roupa velho e nós não perdemos tempo, colocamos uma das portas no muro do quintal e fizemos um tobogã que nos divertiu por todo o verão. 😉 Os banhos no quintal na época do verão. Os doces que ganhávamos do fiteiro de Tia Dida. As dúvidas escolares tiradas com os primos e irmãos mais velhos. A época das festas é um capítulo a parte. As discussões sobre o que aprendíamos na escola.

Posso dizer que eu era menino-menina pois não tinha como escapar da convivência de quatro primos e cinco irmãos homens, eu era estimulada quase que diretamente pelos hormônios masculino. Aprendi a jogar futebol, jogar bola de gude, empinar pipa, fazer nossos próprios carrinhos de corrida, torrar castanha de caju, nadar, aprender tricks(Truques) com a Caloi Cross, jogar voley, até a dançar forró. O mundo masculino era mais acessível e mais resolvido para mim.

Minha única prima com três anos de diferença, me dava umas dicas de como ser feminina de vez em quando, mas isso era uma tarefa muito difícil pois para mim era mais fácil ser o Joãozinho que a Maria, sacou?! As informações entravam por um ouvido e saiam pelo outro.

A nossa relação é bem forte até hoje, mesmo tendo muitos de nós espalhados por todo o mundo… digamos que a comunicação está muito mais fácil hoje depois do Skype, Whatsapp, facetime, messenger, entre outros… mas creio que o elo da infância continuou depois dos longos anos.

Meu Primo Adilson era o mais saliente de todos… ele pegou piolho uma vez, pois se incumbiu de catar alguns e colocar uma pequena fazenda na cabeça de cada um de nós só para dividir a prole com todos. 😎

Meu Tio Zezé dizia sempre pra gente: “Eu gosto de você de graça”… e era assim que tínhamos nossa relação. Lembro que meu tio era sempre recebido com muita alegria, principalmente pelo meu irmão Anselmo e um dia meu tio perguntou para Anselmo se ele gostava dele mesmo ou se aquilo era safadeza(só aparência) e Anselmo respondeu: “É safadeza, Tio Zezé!”… repetindo a última pergunta fazendo aquilo que toda criança faz, esta estória é contada e recontada até hoje.

A casa da Tia era a minha Pasárgada privada pois lá eu tinha liberdade de fazer o que eu queria e tenho ótimas lembranças dos tempos da chuva, do primeiro carro da irmã e primo mais velhos, do nascimento das filhas dos primos que resolveram ser pais prematuramente.

Acredito que eles tinham este refúgio na nossa casa também, pois era como se tirássemos uma pausa quando os humores começavam a ferver.

Retirado do site: Culturagenial.com e a música: A Grande Família pelo link do Youtube no final.

Pasárgada era uma cidade persa(Iran nos dias de hoje)e também foi a capital do Primeiro Império Persa, cuja construção iniciou-se pelo imperador Ciro II. Como o próprio poeta explicou, a imagem dessa cidade ficou em sua cabeça desde a adolescência até a composição do poema.

Vou-me embora pra Pasárgada é um poema de Manuel Bandeira, publicado no livro Libertinagem em 1930. O poema de características modernistas evoca um escape do poeta para um lugar melhor, fugindo da sua realidade.

Poema: Pasárgada de Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher(homem) que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe – d’água.
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem mulheres(homens)bonitas(os)
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
– Lá sou amigo do rei –
Terei a mulher(homem) que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Deixo a Música da Grande Família para vocês entrarem no Clima:
https://youtu.be/xs0XzbC4zUI

Nota do Autor: Atualizo este Blogue à cada 2-3 dias, se você gostou, inscreva seu e-mail logo abaixo e assim, você receberá nossas atualizações em Primeira mão. MJ 

5 thoughts on “Os Primos da Rua do meio e a nossa Pasárgada Particular

  1. O maquiavelismo dos políticos da idade média não tinha nada haver com a obra o princepe de Nicolau Maquiavel. Era pura superstição, descrença e perseguição. Beleza ME.

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  2. A gente brincava de pai, mãe e filho. (No quintal)
    Brincávamos de cavalinho e cabra cega. (Dentro de casa)
    Tinha um quadro negro e giz na copa da cozinha. Adriana ficava nos ensinando as tarefas. Beleza. ME.

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