A Simbologia dos Contos de Fada

Um conto de fadas é um tipo de história que tipicamente apresenta personagens fantásticos do folclore, como dragões, elfos, fadas, gigantes, gnomos, goblins, grifos, nuchas, animais falantes, trolls, unicórnios ou bruxas. A história também, via de regra, apresenta encantamentos.

Geralmente o conto de fadas se dividem em 4 etapas:

  1. TRAVESSIA: “leva o herói ou heroína a uma terra diferente, marcada por acontecimentos mágicos e criaturas estranhas”.
  2. ENCONTRO: “com uma presença diabólica –uma madrasta malévola, um ogro assassino, um mago ameaçador ou outra figura com características de feiticeiro”.
  3. CONQUISTA: “o herói ou heroína mergulha numa luta de vida ou morte com a bruxa, que leva inevitavelmente à morte desta última”.
  4. CELEBRAÇÃO: “um casamento de gala ou uma reunião de família, em que a vitória sobre a bruxa é enaltecida e todos vivem felizes para sempre”.

Diferentemente do que se poderia pensar, os contos de fadas não foram escritos para crianças, muito menos para transmitir ensinamentos morais (ao contrário das fábulas de Esopo). Em sua forma original, os textos traziam doses fortes de adultério, incesto, canibalismo e mortes hediondas. Marina Warner, especialista em histórias infantis da Universidade de Essex, na Inglaterra, diz que “a fome e a mortalidade infantil serviam de inspiração” para os contos de fadas, surgidos em sua maioria na Europa da Idade Média.

Os irmãos Grimm, o dinamarquês Hans Christian Andersen, Walt Disney e muitos outros foram responsáveis pela divulgação dos mais famosos contos que temos hoje.

Friedmann (2005) compreende que “o símbolo pode ser representado através de um movimento, uma expressão corporal ou gestual, uma brincadeira, um sonho, um relato de imaginação ativa.

É importante observar que durante a leitura de um conto de fada, a criança se depara com inúmeros tipos de personagens, com estereótipos diferentes, paradigmas a serem solucionados e de alguma forma a criança se sente no dever de auxiliar aquele personagem a resolver essa problemática.

Durante a leitura de um conto de fadas, a criança pode automaticamente transmitir, através de duas atitudes, fatos lidos e vivenciados por personagens descritos nas literaturas lidas. Os símbolos absorvidos pelas crianças são emitidos em forma de comportamentos e reações. Epstein (2010, p. 71) comenta também que “o símbolo consiste em tornar explícitas as referências implícitas que, por sua vez, são características dos símbolos”, isto é, aquilo que é gerado no subconsciente pelo conhecimento e por meio da leitura, é expandido para fora em forma de atitudes e reações baseadas nesta absorção de conhecimento literário.

Vamos aos símbolos:

– Floresta: Entrar na floresta escura ou na Floresta Encantada é um símbolo limiar: a alma adentra os perigos do desconhecido; o reino da morte; os segredos da natureza, ou do mundo espiritual que o homem deve penetrar para encontrar o significado.

– O Herói/Vilão – São os que participam da ação. Geralmente os Heróis são pobres, jovens, fracos, desajeitados. Já o Vilão é forte, vigoroso, imperioso, mas anseia mais poder, pois é mortal, finito, representa a materialidade, o corpo e o seu processo de deterioramento. A Cara e a Coroa, o Positivo e o Negativo, o Bem e o Mal, o Espírito e a Matéria, a Luz e a Escuridão. A Consciência e a Inconsciência. O Despertar e o Sono. É esta busca que Carl Jung chama de individuação, a busca do si mesmo, do self, tão importante para a sobrevivência na vida adulta.

– As fadas-madrinhas, os gênios e outros personagens que sempre ajudam os heróis são os próprios poderes latentes do homem e a própria natureza, que põem-se em marcha, despertados pela vontade e coragem destes heróis diante dos problemas.

O número 3: Nas religiões mais próximas de nós, esta tríade mantém-se. Na verdade, para o budismo, tudo é triplo: o tempo divide-se em passado, presente e futuro; o mundo contém a terra, a atmosfera e o céu; a própria manifestação divina é tripartida (pai, filho e Espírito Santo).

– O número 7: são os centros vitais de forças, os CHAKRAS. Tem a luta das sete virtudes contra os setes pecados capitais (exemplo dos Sete anões de Branca de neve):

  • Castidade x Luxúria
  • Generosidade x Avareza
  • Temperança x Gula
  • Diligência x Preguiça
  • Paciência x Ira
  • Caridade x Inveja
  • Humildade x Soberba

– A bruxa representa esse lado negro, oculto, essa força inconsciente. A mãe que aprisiona o filho.

– A maçã: Simboliza o CONHECIMENTO.

– O Príncipe: Significa a energia masculina.

– O beijo é o encontro e quando isso acontece o SER DESPERTA, ascende, transcende, conquista a si mesmo, levanta, se torna INTEGRAL.

– O espelho é a consciência.

– A capa vermelha: A Capa possui o mesmo simbolismo do Manto, antes de tudo é um símbolo de nobreza e realeza. Simboliza o sacrifício interior do nosso “Eu”, para o aprimoramento e evolução.

– A Capa preta: A Cor preta exterior da Capa, associa-se à simbologia do número zero, que está conectado misteriosamente com a unidade, entendido como o seu oposto e reflexo.

– O Branco e o Preto: O branco é a união de todas as cores do espectro solar, é a “LUZ” em sua plenitude e, em contra partida o preto é a ausência completa da luz, o vazio, o nada.

– A Torre são os problemas.

– Os cabelos: Os Pensamentos que crescem simbolicamente e não encontram uma forma de se expressar no mundo exterior.

– O canto: Simboliza a Libertação.

– A Roca de tear: Simboliza o Amadurecimento. Chegar na fase adulta e confeccionar suas próprias roupas.

– Sapatinho de Cristal: O sapatinho de Cinderela é um símbolo inconsciente do órgão sexual feminino, e a cena onde o príncipe calça o sapato em seu pé, é um símbolo inconsciente do ato sexual.

– Os Nomes dos personagens: Geralmente dizem suas qualidades. Exemplo: Neo (Novo) do Matrix, se invertermos as letras do nome Neo daria: One, o escolhido.

– Concha do Mar: A concha simboliza, além da fecundidade, o prazer sexual, a prosperidade, e a sorte.

– Rosa vermelha: Símbolo de Vénus, a deusa do amor.

– A lâmpada mágica de Aladim: Realização dos nossos desejos.

– A espada simboliza virtude, bravura e poder, e é um símbolo do estado militar.

– O caldeirão é um antigo símbolo dos mistérios e dos poderes da sacralidade feminina.

Bom, esses são alguns dos símbolos usados nos contos e estorinhas dos nossos filhos e que um dia foram nossos. Espero ter ajudado. 🦋

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